(via vireipassaro)
Como é que eu ter direito à uma pessoa me mandar uma mensagem é diferente da privacidade que você clama ao não deixar eu ver seu celular? “pufssssssss uma coisa eh uma coisa otra coisa otra coisa”. Ah, é, sim: você parar de falar comigo porque assume que falo “escondido” com outros deixa subentendendido que portanto eu não posso ter a mesma privacidade que você, né? Mas, se eu consigo confiar em você (já que, como experimentamos muitas vezes, caso não, você simplesmente assume a forma de um guarda-costas e não me deixa manter nenhum tipo de diálogo, cortando-me com onomatopeias de puro repúdio –tssss, pffs – ou risadas debochadas), por que você não consegue lidar com eu falar com outras pessoas? Que culpa tenho eu se querem falar comigo (falar coisa nenhuma: foi um simples comentário acerca de uma foto que sequer você curtiu, aliás)? Joinha, você me respondeu – querendo dizer que é tranquilo eu ter que lidar com você ter Tinder (“para nós dois”, você insistiu, mas mesmo assim eu não podia ver nada do que você fazia ali, né?); é normal você seguir página de mulher gostosa no Instagram; é super ok você ter sua privacidade; você não querer me contar nada sobre o que te construiu. Você nunca me contou quantas namoradas teve. Um dia, falou em três. Depois, surge uma blusa na sua gaveta, e de repente são 10 meninas que já foram pra cama com você em 10 anos; e no fim eu não mereço saber de nada mesmo – a sua privacidade precisa ser preservada porque alguma ex X sua não sabia lidar direito com isso. Bom, eu não sou essas ex-meninas, né? Não é estranho em um dia fantasiar em morarmos juntos e depois se dar conta de que você nunca quis e tem repúdio a dividir quem você é comigo? E por outro lado eu lembro muito bem quando você me coagiu a dividir qual era o apelido carinhoso que eu dava para o meu ex. Com o seu emoji idiota, eu também percebo que não é digno de resposta minha tentativa de equiparar poder ter amigos além de você com esse seu exclusivo e verdadeiro privilégio da privacidade. Joia mesmo nossa relação. Preciosa como meus brincos de pérolas e os cinemas que você me paga, mas vazia e injusta como a moldura que você me deu de última hora, preenchida com um discurso cliché porque não é digna das nossas fotos juntos que eu amo, mas você odeia tanto que guarda umas feias só de mim de propósito para me ameaçar. Você afinal não liga de mandar fotos e vídeos só de mim nos grupos de Whatsapp, você acha isso super engraçado. Você não liga de publicar fotos que eu não gosto só de mim no seu Facebook como se fosse a mais bela surpresa. Só liga se eu chegar perto de fazer o mesmo que você – só perto mesmo, pois eu nunca fiz nada tão maldoso com você como você faz comigo. Você nem liga de me ver triste. Eu sei. O que te importa é fazer de tudo para manter a sua privacidade, sendo um idiota quando se trata da minha. Você acha que em um namoro é melhor para os dois se um não souber quando o outro vai em uma balada sozinho. Como foi mesmo que você me disse? Você não mentiu, omitiu? Super legal, super amoroso isso, superultra normal. Normal como a minha privação. Sobre isso, você insiste que não está pedindo para eu fazer qualquer coisa, que não está me impedindo de nada – mas se eu não impedir elogios, se eu não apagar sua foto, você fica puto comigo! Então eu faço a única coisa ao meu alcance para parar de te deixar puto, que é seguir essas ordens implícitas. Tá tudo normal. Enfim é normal voltar para casa triste e sentindo-me culpada nem sei pelo quê depois de um dia que tinha começado feliz.
(via abduction)